Velha canção
Era uma noite fria, e a garota estava de chinelos, sem um agasalho e seus cabelos pareciam não ter jeito.
No desespero ela correu, o mais que pode, mais a dor em seu peito não passava...
Sentia que seus pés eram pura ferida, teve um tempo que parou de sentir os próprios pés mas mesmo assim, não parava de correr.
Sem rumo, sem direção, querendo chegar a lugar nenhum. Com medo de não saber voltar....
Voltar?
Voltar para onde?
Onde é o meu lugar?
Muitas vozes gritavam em sua cabeça e se a loucura existisse, estava ali, em frente de seus olhos. Era quase possível enxergá-la.
E não conseguia parar de correr e o suor escorria pelo seu rosto borrado, em baixo de seus cabelos desgrenhados e por suas costas. Parecia que tudo isso só aumentava a dor e a angustia que tinha em seu coração...
Queria gritar, mas teve medo... Não sabia quem poderia ouvir.
Por fim, em um muro de tijolos, parou, se encostou, sentou e tentou acalmar sua respiração.
Demorou uma eternidade. Não sei dizer quanto em minutos mais pareciam eternas as tentativas de respirar profundamente.
Não sei de onde, mas ela encontrou forças e cantarolou uma velha canção. E abraçando suas pernas chorou tudo o que tinha para chorar.... Chorou até cansar, e não ter forças. Dormiu.
Quando deu por si já estava amanhecendo e tinha tanto a fazer. Sem saber por onde começar, achou uma pia no final do muro. Lavou os pés e seu chinelo azul. Lavou o rosto e molhou as mãos, passando por seus cabelos e ajeitando-os levemente, até se sentiu um pouco melhor. Tentou sorrir sem muita sorte. Felizmente não chorou. E seguiu entre passos e tropeços em um caminho desconhecido cantarolando a mesma velha canção.
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